Café filosófico.





Café filosófico: por Leandro Karnal, Luiz Felipe Pondé e Ricardo Goldenberg
“’Quando somos jovens buscamos independência e sabedoria, mas, quando a alcançamos estamos velhos e desejamos de volta o vigor da juventude. Será que passamos a vida esperando pela idade em que seremos plenamente felizes?’”
‘Vivemos expectativas, fracassos, inquietações, e a consciência da dor. O ser humano procura por um sentido na religião, na ciência, nas utopias. Ou então, procura uma total ausência de sentido.’
‘As utopias só não construíram fantasmas coletivos. Outros fantasmas, com nomes próprios, vieram à noite visitar os sonhos e pesadelos dos indivíduos em suas pequenas vidas comuns. E o que faz o indivíduo sozinho, à noite, no seu quarto, diante desses fantasmas? Para além dos grandes processos políticos e sociais, o que significou, em nosso cotidiano, vivermos sob a tutela de um projeto de perfeição? Como cada um de nós, na solidão da vida e de suas pequenas decisões que formam a malha quase invisível em que respiramos, viveu esta obsessão pela vida perfeita?’
‘Uma visita à concepção trágica da vida pode ser um recurso de enfrentamento dos fantasmas da utopia na medida em que coloca o homem diante de uma indagação ancestral: somos senhores de nosso destino? Qual o alcance da liberdade humana? No que os processos utópicos foram causa de uma modernidade covarde? Vida perfeita, amor perfeito, personalidade perfeita, liberdade perfeita, juventude eterna, todos fantasmas de um mal infinito. Seria a tragédia uma visão mais madura da condição humana?'
‘Utopias da personalidade, do amor, da liberdade, do conhecimento, varreram nossas vidas. Talvez a cura passe pelo enfrentamento da imperfeição e do conflito como universo último da vida. Seríamos, afinal, uma pequena alma que sabe mais do que deve, mas nunca tudo o que precisa? Enfim, teríamos diante de nós o risco de sermos um ser sem sentido último e sem certezas? Seria esta uma forma mais livre de viver? A imperfeição como horizonte?
O acúmulo das ciências da alma (psicologia) gerou uma grande ansiedade de autoconhecimento. Qual o resultado, a esta altura, deste acúmulo? Haverá uma relação necessária entre autoconhecimento e felicidade? Ou, ao contrário, a ampliação da consciência implicaria maior dificuldade de autoengano e, portanto, um impacto causado pela inquietação, este outro nome para a consciência? O que ganha e o que perde quem busca conhecer a si mesmo? Seria o oráculo de Delfos, afinal, uma maldição? Grande parte do que se passa na cabeça humana não se deve jogar luz, pois traz monstros a tona. Vá a diante, fale tudo que ninguém quer ouvir, o que todo mundo sabe mas não agüenta ouvir.
“Aquele que pode dizer que sabe de mim sou eu! “
Autoconhecimento uma miragem, o autoengano uma norma.
Nem sempre se sabe tudo sobre aquilo que se acredita.
O que é ser Humano? Um animal frágil que esconde seus medos?? Um corpo finito preso a uma alma que enxerga o infinito? Uma consciência que percebe a tragédia de viver?? Entre a vida e a morte, entre o céu e o inferno, entre ser e não ser o ser humano procura por sentido. A saída pode estar na religião, na ciência, nas utopias. Ou o sentido da vida pode estar na total ausência de sentido? Como viver a meio tanta incerteza?


5 comentários:

  1. Oi Danny!
    Adoro o Café Filosófico! Já tive oportunidade de ir assitir algumas vezes ao vivo e são sempre discussões ímpares!!! Estava pirando um pouquinho nisso... e acabei colocando uma crônica da Martha que se chama 'Completamente feliz'... acrescentei um ponto de interrogação, afinal... eita dificuldade responder isso!
    Ótima dica!
    Beijos!

    ResponderExcluir
  2. Café Filosófico é um excelente espaço para discussões atuais e que correpondem a natureza humana. Para muitos a Filosofia se restringe aos filósofos mortos e do passado. Estes enganam se muito, pois a real filosofia serve de ponte para refletirmos as inquietações do homem moderno, que se entrega à futilidade do consumo e desvario.
    Excelente blog e, estarei sempre acompanhando!

    ResponderExcluir
  3. http://cafesfilosoficos.wordpress.com/

    ResponderExcluir
  4. Sócrates disse: "Conhece a ti mesmo”, mas eu pergunto: “como você pode conhecer a si mesmo?” Quem será o conhecedor e quem será o conhecido? O conhecimento depende de uma divisão – esta é uma das técnicas cientificas para o conhecimento.

    Ora, posso conhecer você, você pode me conhecer, porque eu me torno um objeto de análise quando você é o analista, o conhecedor. Mas como você pode conhecer a si mesmo? E si você tentar conhecer, aquilo que você conhecerá não será você mesmo. O conhecedor sempre recuará; o conhecimento sempre será categorizado como objeto e você será categorizado como sujeito.

    Você pode conhecer o corpo, mas você não é o corpo. Você pode conhecer a mente – porque você não é a mente. A mente e o corpo são os objetos e você é o conhecedor, o observador.

    Observe, perceba, você recua, continua recuando, você é uma transcendência sutil. Tudo o que você sabe, imediatamente o transcende. No momento em que ficou conhecido, você se separa dele. Se você disser: "Conheci a mim mesmo", o que você quer dizer? Quem conheceu quem? Você é o conhecido ou o conhecedor? Se você for o conhecedor, você ainda permanecerá desconhecido.

    Um grande abraço do amigo,

    Edson Carmo

    ResponderExcluir
  5. Parabéns pelo blog.
    Gostei muito!
    E obrigada por me seguir.

    Bjs.

    ResponderExcluir

PENSAMENTOS::